O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou o Brasil pelo combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV). A declaração consta no documento anual enviado pelo governo americano ao Congresso em 15 de setembro, referente ao ano fiscal de 2027.
Segundo Trump, o governo brasileiro não teria enfrentado de forma suficiente as duas organizações, que, na avaliação americana, contribuiriam para transformar o país em um centro de distribuição internacional de cocaína.
“Essas organizações terroristas brasileiras constituem uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo”, afirmou Trump.
Brasil não está na lista dos 23 países
Apesar das críticas, o Brasil não aparece entre os 23 países classificados pelos EUA como grandes produtores ou pontos de trânsito de drogas ilícitas. O documento também não inclui o país entre aqueles considerados como tendo falhado de forma demonstrável no cumprimento de compromissos internacionais de combate às drogas.
Na lista de países apontados como tendo falhado de forma demonstrável estão Afeganistão, Bolívia, Birmânia e Colômbia.
Os EUA também já haviam classificado PCC e CV como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO).
Governo brasileiro rebate críticas
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) contestou a avaliação americana e afirmou que o documento desconsidera ações adotadas pelo Brasil contra o crime organizado.
A pasta citou a Lei Antifacção, sancionada em março de 2026, além de milhares de operações realizadas por forças federais e do Programa Brasil contra o Crime Organizado, lançado em maio.
Segundo o ministério, essas ações incluem o combate ao financiamento das facções, fortalecimento do sistema prisional, investigação de homicídios e enfrentamento ao tráfico de armas.
O governo brasileiro também destacou a cooperação existente com os EUA e afirmou que Lula apresentou, durante visita a Washington em maio, propostas de ações conjuntas contra lavagem de dinheiro, tráfico de armas e compartilhamento de inteligência.
