A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu cinco pessoas nesta quarta-feira (7) suspeitas de integrar uma organização criminosa especializada no golpe do falso parente pelo WhatsApp. A Operação “Atrás das Grades” cumpriu cinco mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão no Distrito Federal e em Goiânia (GO).
Segundo a investigação, o grupo não apenas aplicava as fraudes, mas também vendia kits completos para outros criminosos. Os materiais reuniam dados pessoais das vítimas e familiares, fotografias e roteiros de conversa usados para convencer as pessoas a transferir dinheiro.
A PCDF identificou, até o momento, 19 ocorrências relacionadas ao grupo, registradas entre novembro de 2025 e maio de 2026. O prejuízo chega a aproximadamente R$ 73 mil. Em um dos casos, uma vítima perdeu mais de R$ 53 mil. Entre as pessoas atingidas estão idosos de 75 e 83 anos.
Como funcionava o esquema
As investigações começaram em maio de 2026, depois que uma moradora do DF recebeu mensagens de um número que usava o nome e a foto de seu filho.
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A partir dos vestígios digitais, os policiais identificaram uma estrutura dividida em núcleos. Um deles, em Ceilândia, habilitava chips usados nas fraudes. Segundo a PCDF, um integrante que já trabalhou em uma operadora cadastrava linhas com CPFs de pessoas que desconheciam o uso dos dados.
Um único celular utilizado pelo grupo registrou mais de 6 mil habilitações de chips. As linhas eram vendidas já ativadas e, depois, encaminhadas a um núcleo em Goiânia, responsável por testar os números e criar as contas de WhatsApp.
Os investigadores também descobriram que os criminosos produziam as chamadas “grades”, kits sob encomenda com informações das vítimas, imagens e roteiros. Dessa forma, os compradores recebiam praticamente toda a estrutura necessária para aplicar o golpe.
Cinco pessoas foram presas
Durante a operação, os policiais prenderam três homens, de 31, 38 e 48 anos, e duas mulheres, de 24 e 46 anos. Celulares, computadores e outros equipamentos eletrônicos também foram apreendidos e serão periciados.
A Justiça determinou ainda o bloqueio de contas bancárias e o sequestro de bens dos investigados e de empresas ligadas a eles. A medida busca evitar a movimentação dos valores e preservar recursos para eventual reparação das vítimas.
Os investigados podem responder por organização criminosa, estelionato qualificado por fraude eletrônica e lavagem de dinheiro. As penas máximas, somadas, podem ultrapassar 26 anos de prisão.
A PCDF continua as diligências para identificar outros integrantes, localizar contas usadas nas fraudes e descobrir o número total de vítimas.
