O período de chuvas no Distrito Federal tem se prolongado até este mês de abril, o que representa um alívio para o calor, mas também traz um alerta importante à saúde. Comum nesta época, o acúmulo de poças d’água e lama é propício para a transmissão da leptospirose, uma doença grave e de evolução rápida. Diante deste cenário, a Secretaria de Saúde (SES-DF) reforça a importância da prevenção.
Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SinanNet), do Ministério da Saúde, mostram que, entre 2023 e 2025, foram registrados 53 casos e quatro óbitos pela doença no DF.

“Muitas vezes, o risco da leptospirose passa despercebido pela população. Entender como a doença é transmitida é essencial para a prevenção, além de ajudar no reconhecimento precoce dos sintomas e na busca rápida por atendimento, aumentando as chances de tratamento eficaz e evitando complicações”, explica a enfermeira da Vigilância das Doenças Transmissíveis da SES-DF, Stéfani Menezes.
A doença
A leptospirose é uma doença causada pela bactéria Leptospira, que pode infectar diversos animais. No ambiente urbano, porém, os principais transmissores são ratos e ratazanas. A transmissão ocorre pelo contato direto ou indireto com a urina desses animais, principalmente em água, lama ou lixo contaminados.
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A bactéria entra no organismo humano por pequenos ferimentos na pele ou por meio do contato com mucosas, como olhos, nariz e boca. Os primeiros sinais podem surgir entre um e 30 dias após a exposição, sendo mais comum entre cinco e 14 dias.
Entre os sintomas estão febre, dor de cabeça, dores no corpo, especialmente nas panturrilhas e na região lombar. Nas formas mais graves, pode causar icterícia que deixa a pele, mucosas e os olhos amarelados e evoluir para complicações como hemorragia, meningite e insuficiência renal, hepática e respiratória, com risco de morte.
Quando procurar atendimento
Ao apresentar sintomas, a recomendação é buscar atendimento imediato. Na rede pública, os casos leves podem ser avaliados nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), enquanto situações mais graves devem ser encaminhadas às Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e aos hospitais regionais.
O tratamento é feito com medicamentos e suporte clínico, sempre sob orientação médica, conforme os sintomas apresentados. A automedicação não é indicada.
Prevenção
Para conter o avanço da doença, a SES-DF realiza ações como educação em saúde para a população, visitas técnicas a locais prováveis de contaminação,controle de roedores em áreas de risco e monitoramento de casos suspeitos.
A população também tem papel fundamental. Medidas simples, como manter alimentos bem armazenados e protegidos de roedores, manter a casa e o quintal limpos e vedar frestas e buracos para evitar a entrada de ratos, fazem diferença no controle da doença. Além disso, é essencial evitar o contato com água ou lama proveniente de enchentes ou esgotos e proibir que crianças nadem ou brinquem nessas águas.
“Se não for possível evitar o contato com a água contaminada, é fundamental utilizar luvas e botas impermeáveis, além de desinfetar com água sanitária as áreas e objetos que tiveram contato com ela”, conclui Menezes.

