A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da 8ª Delegacia de Polícia (Estrutural), deflagrou na manhã desta terça-feira (28/01) a Operação Unmask, que resultou na desarticulação de um esquema criminoso de extorsão baseado em fraude psicológica.
A ação contou com o apoio da Polícia Civil de São Paulo e culminou no cumprimento de três mandados de prisão temporária, quatro mandados de busca e apreensão e no bloqueio de mais de R$ 250 mil em contas ligadas aos investigados.
Segundo as investigações, os criminosos se passavam por policiais civis da própria 8ª DP e entravam em contato com as vítimas por telefone e aplicativos de mensagens. Utilizando linguagem técnica, termos jurídicos e informações reais sobre procedimentos policiais, o grupo afirmava que a vítima estaria envolvida em uma suposta investigação criminal.
O uso do nome da delegacia e de práticas verossímeis tinha como objetivo conferir credibilidade ao golpe e provocar medo imediato.
Ao longo de vários dias, a vítima foi submetida a intenso controle psicológico. Os suspeitos orientavam que ela não procurasse advogados, familiares ou outros órgãos policiais, sob a ameaça de prisão preventiva ou agravamento da situação criminal.
De acordo com a polícia, esse ambiente de pressão constante caracterizou um sequestro psicológico, elemento central do crime de extorsão investigado.
A retirada do dinheiro ocorria sob o falso argumento de cumprimento de medidas cautelares. A vítima era induzida a realizar transferências bancárias, principalmente via PIX, para contas indicadas pelos criminosos.
Os valores eram exigidos sob pretextos como “regularização”, “garantia patrimonial” ou “comprovação de colaboração com a investigação”, sempre acompanhados de novas ameaças.
As diligências apontaram que os valores extorquidos eram movimentados por meio de contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas, indicando o uso de terceiros, empresas de fachada e possíveis mecanismos de lavagem de dinheiro.
A análise de dados digitais revelou ainda uma atuação coordenada e permanente do grupo, com divisão de tarefas e uso sistemático de meios tecnológicos.
A Polícia Civil do DF apura, em tese, os crimes de extorsão, associação criminosa e lavagem de dinheiro. As investigações seguem em andamento para identificar novas vítimas e outros integrantes do esquema.
A PCDF reforça que nenhuma unidade policial solicita pagamentos ou transferências financeiras e orienta que qualquer tentativa desse tipo seja comunicada imediatamente às autoridades.
