A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), vinculada ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor), deflagrou na manhã desta quinta-feira (22) a Operação Falsa Central, com o objetivo de desarticular um grupo criminoso especializado no golpe conhecido como Falsa Central de Banco.
As investigações tiveram início após uma idosa, moradora do Distrito Federal, ser vítima do esquema fraudulento. Entre os dias 6 e 12 de maio de 2025, os criminosos causaram um prejuízo de R$ 212,5 mil à vítima. Para preservar a imagem da instituição financeira envolvida, o nome do banco não foi divulgado.
De acordo com a polícia, os golpistas se passaram por funcionários da área de segurança do banco da cliente e conseguiram mantê-la em erro por vários dias. Durante as ligações, os criminosos se apresentavam como gerente da instituição, supostamente responsável pelo setor jurídico, e convenceram a vítima a comparecer pessoalmente a um caixa eletrônico.
Enquanto a idosa realizava as operações, um dos integrantes do grupo permanecia em contato telefônico, orientando cada procedimento. O suposto funcionário alegava que, para identificar a origem de débitos irregulares e rastrear valores desviados, seria necessário efetuar sucessivas transferências bancárias.
Ainda sob as instruções do grupo, a vítima também foi induzida a contrair empréstimos de valores elevados. Os recursos obtidos eram transferidos para pessoas jurídicas de fachada e para contas de “laranjas”, recrutados por meio de corretagem ilícita. A estratégia tinha como finalidade pulverizar os valores ilícitos e, posteriormente, repassá-los aos líderes da organização criminosa.
A partir da análise de vestígios cibernéticos e financeiros, a DRCC conseguiu identificar o núcleo central da quadrilha e seus operadores financeiros. Até o momento, outras dez vítimas já foram identificadas no Distrito Federal, com um prejuízo total que ultrapassa R$ 500 mil.
No âmbito da operação, foram expedidos três mandados de prisão e oito mandados de busca e apreensão, todos cumpridos em endereços localizados na capital paulista. A Justiça também autorizou o bloqueio de contas bancárias, o sequestro de bens imóveis e veículos de alto valor, além da suspensão das atividades de empresas ligadas ao esquema criminoso.
Ao todo, 12 integrantes do grupo já foram identificados e serão indiciados. Até o momento, dois mandados de prisão foram cumpridos. Durante as diligências, os policiais apreenderam computadores, aparelhos celulares e veículos de alto valor.
A ação contou com a participação de cerca de 60 policiais civis, com apoio da Polícia Civil do Estado de São Paulo (PCSP). Os investigados responderão pelos crimes de estelionato qualificado pelo emprego de meio eletrônico, violência psicológica, associação criminosa e lavagem de dinheiro, cujas penas somadas podem chegar a 24 anos de reclusão.
As investigações seguem em andamento para identificar outros envolvidos e apurar a existência de novas vítimas no Distrito Federal.
