A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, reiterou neste sábado (7) ao Supremo Tribunal Federal (STF) o pedido de acesso às perícias realizadas pela Polícia Federal (PF) em aparelhos eletrônicos apreendidos durante a investigação da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraude na instituição financeira.
Segundo os advogados, a solicitação inicial foi feita em 14 de fevereiro com o objetivo de verificar a integridade do material e avaliar se houve eventual manuseio precipitado ou tecnicamente inadequado dos dispositivos.
A defesa pede acesso aos dados brutos extraídos dos celulares e demais aparelhos pertencentes ao banqueiro para que possam ser analisados por um assistente técnico independente.
“O objetivo é permitir a análise independente por assistente técnico da defesa, conforme previsto na legislação processual, garantindo que a prova digital seja examinada com transparência, integridade e respeito ao devido processo legal”, afirmou a defesa em nota.
Os advogados também manifestaram preocupação com o vazamento de conversas pessoais atribuídas ao empresário.
“A defesa reiterou mais uma vez sua preocupação com vazamentos seletivos de conteúdos que estariam sob sigilo judicial e reafirmou seu compromisso de utilizar qualquer material obtido exclusivamente para fins processuais, preservando o sigilo das informações”, acrescentaram.
Na sexta-feira (6), o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, determinou a abertura de um inquérito na Polícia Federal para investigar o vazamento das informações.
Relembre o caso
Daniel Vorcaro foi preso novamente na manhã de quarta-feira (4) durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.
No ano passado, o empresário já havia sido alvo de mandado de prisão na mesma operação, mas obteve liberdade provisória mediante uso de tornozeleira eletrônica.
A nova prisão foi baseada em mensagens encontradas no celular do banqueiro, apreendido na primeira fase da investigação. De acordo com a PF, as conversas indicariam ameaças a jornalistas e a pessoas que teriam contrariado interesses do empresário.
A Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema de fraudes bilionárias no Banco Master, que teria provocado um prejuízo estimado em até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos, responsável por ressarcir investidores.
