Durante agenda em Goiás nesta terça-feira (2), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tom das críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao afirmar que o parlamentar teria solicitado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, uma interferência no sistema de pagamentos Pix. A declaração foi feita durante discurso no Hospital Universitário de Rio Verde.
Sem citar diretamente o senador pelo nome em parte da fala, Lula afirmou que um aliado do bolsonarismo viajou aos Estados Unidos e pediu ao governo norte-americano para agir contra o sistema financeiro brasileiro. Segundo o presidente, o Brasil não aceitará qualquer tipo de interferência externa em mecanismos considerados estratégicos para a economia nacional.
As declarações ocorrem após o encontro de Flávio Bolsonaro e do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro com Donald Trump, realizado no fim de maio, na Casa Branca, em Washington. Dias depois da reunião, o governo norte-americano anunciou medidas relacionadas ao Brasil, incluindo a classificação das facções criminosas PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.
Além disso, autoridades dos Estados Unidos divulgaram um relatório apontando que o Pix poderia gerar desvantagens para empresas privadas de meios de pagamento, como Visa, Mastercard e WhatsApp Pay. O documento também menciona a possibilidade de novas tarifas sobre produtos brasileiros.
Mais cedo, durante evento em Catalão (GO), Lula voltou a criticar Flávio Bolsonaro, afirmando que o senador estaria negando qualquer pedido de intervenção junto ao governo americano. O presidente argumentou que eventuais medidas comerciais contra o Brasil prejudicariam setores produtivos, empresários, exportadores e o agronegócio nacional.
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Em resposta, Flávio Bolsonaro declarou nas redes sociais que solicitou a Trump justamente o contrário: que não fossem aplicadas tarifas sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. O senador afirmou ainda ter encaminhado uma carta ao presidente norte-americano reforçando essa posição.
A discussão também mobilizou o setor financeiro. A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) saiu em defesa do Pix, destacando que o sistema funciona como uma infraestrutura de pagamentos aberta e acessível, promovendo concorrência e ampliando a eficiência das transações financeiras no país.
