Grupo suspeito de agiotagem é alvo de operação da PCDF

Grupo cobrava juros superiores a 20% ao mês e é investigado por ameaças, lavagem de dinheiro e organização criminosa armada.

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nesta quinta-feira (10), a Operação Iustitia Victis contra uma organização suspeita de agiotagem, extorsão, lavagem de dinheiro e organização criminosa armada.

Segundo a investigação, o grupo emprestava dinheiro com juros superiores a 20% ao mês e realizava cobranças por mensagens e abordagens presenciais.

Comerciante tirou a própria vida

Um comerciante de 68 anos, que trabalhava na Feira dos Goianos, em Taguatinga, teria contraído empréstimos com agiotas brasileiros e colombianos.

Semianalfabeto, ele negociava os valores por áudios enviados pelo celular da filha. A conta dela também era usada para receber o dinheiro e pagar as parcelas.

Com o aumento das dívidas e da pressão dos credores, o comerciante tirou a própria vida dentro da banca, em 21 de março de 2025.

Após a morte, os familiares passaram a receber cobranças e ameaças. Segundo a PCDF, integrantes do grupo chegaram a enviar uma foto do antigo endereço da família e fizeram referências a possíveis atos de violência. Com medo, os parentes deixaram o imóvel.

Operação cumpre 47 ordens judiciais

A investigação identificou dois núcleos criminosos independentes. O primeiro, formado por colombianos, foi alvo da primeira fase, em 2025. Agora, a PCDF mira o grupo formado por brasileiros, com atuação no DF, Goiás e Tocantins.

Os investigadores apontam uma estrutura com divisão de tarefas entre líderes, gestores financeiros, cobradores e responsáveis por intimidação, logística e ocultação de patrimônio.

Durante a operação, foram apreendidos armas, munições, veículos de luxo, documentos, listas de devedores e registros de cobranças.

A análise financeira identificou movimentações por contas de familiares, terceiros e empresas. Entre janeiro e 29 de agosto de 2025, as contas investigadas receberam R$ 10.178.544,79.

A Justiça autorizou 47 medidas: 12 prisões preventivas, 18 buscas e apreensões e 17 bloqueios financeiros. Os bloqueios atingiram 14 pessoas e três empresas, até o limite de R$ 10,17 milhões.

As buscas ocorreram em Palmas e Araguaína (TO) e em Formoso, Goiânia e Senador Canedo (GO), com apoio das polícias civis dos dois estados.

Das 12 prisões, 11 foram cumpridas. Uma investigada não foi localizada.

Os suspeitos podem responder por usura, extorsão, organização criminosa armada e lavagem de dinheiro. A investigação continua para identificar outras vítimas, integrantes e bens relacionados ao grupo.

O nome Iustitia Victis significa “Justiça aos vencidos” ou “Justiça para os derrotados”.

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