Defesa de Vorcaro aponta alterações em arquivos de celular apreendido pela PF

Perícia particular identificou 657 arquivos modificados e 436 criados após a apreensão do aparelho. Advogados pedem acesso aos dados originais e a soltura do ex-banqueiro.

A defesa de Daniel Vorcaro entregou nesta quinta-feira (29) ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma perícia particular sobre o celular do ex-banqueiro. O aparelho foi apreendido pela Polícia Federal (PF) em 17 de novembro de 2025.

Segundo o laudo apresentado pelos advogados, 657 arquivos sofreram modificações e outros 436 foram criados após a apreensão. Para a defesa, os registros levantam dúvidas sobre a integridade do conteúdo armazenado no aparelho.

Os advogados afirmam que não conseguem verificar a extensão das alterações. Por isso, pediram ao STF que determine à PF a entrega dos dados originais para análise. Também solicitaram a soltura de Vorcaro, alegando que ele permanece preso sem acusação formal.

A defesa ressaltou, porém, que os registros de alteração não comprovam que uma pessoa tenha modificado diretamente os arquivos. Segundo os advogados, eles indicam que o conteúdo mudou enquanto o celular estava sob custódia do Estado.

PF indicia Vorcaro e outros 14 investigados

A Polícia Federal indiciou Vorcaro e outros 14 investigados na Operação Compliance nesta quarta-feira (28). No relatório, a corporação atribuiu ao ex-banqueiro participação direta nas operações com carteiras de crédito consideradas irregulares do Banco Master, que teriam causado prejuízos ao Banco de Brasília (BRB).

A PF também apontou Vorcaro como principal beneficiário econômico das operações. Os investigados foram indiciados por gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Defesa nega prejuízo ao BRB

Após o indiciamento, os advogados de Vorcaro negaram que as operações tenham causado prejuízo ao banco público. Segundo eles, a PF mantém a mesma linha de investigação e não apresentou avanços significativos.

A defesa afirma que a negociação das carteiras da empresa Tirreno não foi concluída. Os advogados alegam que os ativos foram substituídos e que a operação gerou resultados positivos para o BRB.

Também sustentam que nenhuma perícia oficial comprovou prejuízo ao banco. As investigações e as conclusões da PF ainda serão submetidas à análise das autoridades judiciais.

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